terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Não sabe de si mesmo a sua imagem..."

Monalisa, Leonardo da Vinci, 1507
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A arte é como uma ciência estética, tem vários segmentos e significados, quase sempre de densidade intraduzível. Ser compreendida das mais variadas formas, confere uma atmosfera atraente, inesgotável de possibilidades. Porém, algumas manifestações artísticas causam uma espécie de inquietação abissal. Uma admiração calcada no estranhamento, incompreensão, repulsa ou desconforto. Fiquei pensando à respeito quando o volume denso de uma leitura arranhou as paredes do meu esôfago. Um, dois... cinco copos d’água, A "História do Olho" desceu engasgada. E tal como ela, outras tantas. Se a arte se legitima ao ensimesmarmo-nos diante de sua representatividade, o que dizer quando isso acontece à palo seco?!
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História do Olho, Georges Bataille, 1928
Violência e obscenidade formam uma mistura explosiva, sobretudo aqui, usadas como recurso criativo para subverter a visão comum. O corpo, vida/morte, o desejo, são retratados de uma forma bem libertadora. Lembro desse livro ter sido indicado na época da faculdade. Por algum motivo não li. Ainda bem, não estava preparada psicologicamente, sem trocadilhos.
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Lolita, Vladimir Nabokov, 1955
Um banho de prosa da mais eloqüente beleza estética para falar de uma paixão obsessiva. Como se paixões não fossem suficientemente perturbadoras, esta se realiza na rascante e insidiosa relação de um homem de meia-idade e uma pré-adolescente.
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Salò ou 120 dias de Sodoma, Pier Paolo Pasolini, 1975
Inspirado no livro do Marquês de Sade, este foi o último e mais chocante filme do diretor italiano. Abusa da perversão, fetiches, escatologias, torturas físicas, voyerismo... é um retrato repulsivo do que pode existir de pior no ser humano.
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Eraserhead, David Lynch, 1977
Pode-se afirmar que o diretor criou uma linguagem própria. Um universo lynchiano por assim dizer. O mais notável é que essa brincadeira com o real e o imaginário esteja impressa desde o seu primeiro filme.
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Laranja Mecânica, Stanley Kubrick, 1971
Kubrick trata fundamentalmente de livre arbítrio. É possível mudar a concepção moral de um homem, sua essência, suas compulsões? Clássico!
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Sete Pecados Capitais, Hieronymus Bosch, 1504
"Cuidado, cuidado, Deus vê" é o que se lê em latim no centro do painel. A esfera central tem o aspecto de um olho humano, Cristo estaria então dentro da pupila. Pecado, tentação, inferno, paraíso, imagens apocalípticas, tudo retratado com supremo aspecto alegórico.
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A Origem do Mundo, Gustave Courbet, 1866
O quadro representa a libertação do artista de todos os estereótipos. A nudez feminina antes de 'A origem', era retratada de forma quase mitológica. Com o realismo de Courbet o mito é deixado de lado, dando lugar a uma mulher real, nas formas, na sugestão do corpo como fonte de prazer. Essa realidade ostensiva provoca ainda hoje as reações mais inquietantes. Uma curiosidade: antes de pertencer ao acervo do Museu D’Orsay, seu último proprietário foi o psicanalista Jacques Lacan.
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El Sueño de La Razon Produce Monstruos, Goya, 1798
Amargura, tristeza, agressividade, melancolia, crueldade, são os temas dessa série de 80 gravuras intitulada "Os Caprichos". Representam a contestação política do artista com a Espanha daquela época.
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Meu Nascimento, Frida Kahlo, 1932
Para Frida, este quadro representa a forma como imaginava o seu nascimento. Ela o pintou depois de sofrer seu segundo aborto espontâneo e do falecimento de sua mãe. A pintura da margem à imaginação. A genitora morta dando à luz a uma Frida também sem vida, seu sentimento mortificado pelas perdas. Ou talvez uma alusão ao relacionamento incompatível que mantinham. Fica implícita uma sensação de abandono materno.
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La Pietá, Michelangelo, 1499
Existe algo mais perturbador do que a beleza irretocável?!

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"A fragilidade é bela porque a fragilidade é um sinal da existência.
A beleza é a harmonia do acaso e do bem.
A beleza seduz a carne para obter permissão de passar à alma.
O belo é um atrativo carnal que mantêm à distância e implica uma renúncia. Inclusive a renúncia mais íntima, a da imaginação. Queremos devorar todos os outros objetos de desejo. O belo é o que desejamos sem querer devorá-lo. Desejamos que seja assim.
A distância é a alma do belo.
O olhar e a espera, eis a atitude que corresponde ao belo. Enquanto podemos conceber, querer, desejar, o belo não surge. Por isso, em toda beleza há contradição, amargura, ausência irredutíveis..."

Simone Weil.

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sábado, 14 de novembro de 2009

"Quaisquer flores, logo que sejam muitas..."

Laeliocattleya, Orquidário do Jardim Botânico.
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Dai-me rosas e lírios,
Dai-me flores, muitas flores
Quaisquer flores, logo que sejam muitas…
Não, nem sequer muitas flores, falai-me apenas
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Em me dardes muitas flores,
Nem isso… Escutai-me apenas pacientemente quando vos peço
Que me deis flores…
Sejam essas as flores que me deis…
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Ah, a minha tristeza dos barcos que passam no rio,
Sob o céu cheio de sol!
A minha agonia da realidade lúcida!
Desejo de chorar absolutamente como uma criança
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Com a cabeça encostada aos braços cruzados em cima da mesa,
E a vida sentida como uma brisa que me roçasse o pescoço,
Estando eu a chorar naquela posição.
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O homem que apara o lápis à janela do escritório
Chama pela minha atenção com as mãos do seu gesto banal.
Haver lápis e aparar lápis e gente que os apara à janela, é tão estranho!
É tão fantástico que estas coisas sejam reais!
Olho para ele até esquecer o sol e o céu.
E a realidade do mundo faz-me dor de cabeça.
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A flor caída no chão.
A flor murcha (rosa branca amarelecendo)
Caída no chão…
Qual é o sentido da vida?
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Fernando Pessoa.
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Cattleya Picasso, Orquidário do Jardim Botânico.
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"Horas hay de recreación, donde el afligido espíritu descanse. Para este efeto se plantan las alamedas, se buscan las fuentes, se allanan las cuestas y se cultivan, con curiosidad, los jardines."
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Miguel de Cervantes.
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Sobre: "O Sentir"

Série Daphnis et Chloé, Marc Chagall
Música: Arabesque No.1, Claude Debussy
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Finalmente fui ver a exposição do Marc Chagall. Foram duas horas imersa no melhor e mais difícil dos silêncios. Aquele que sentimos mesmo expostos a ruídos.
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Felizmente, estar em contato com o trabalho do artista exige mais que qualquer compreensão erudita. Tudo tem uma aura tão afetiva e cheia de simbolismo, que proporciona uma comunhão incomum de sentimentos.
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Lembrei das pinturas à guache do jardim. Como permiti que as cores fortes que usava perdessem a intensidade, ficassem opacas pelo uso, pelo costume? De repente o rosa era tão rosa, o verde, o azul, o amarelo, tão mais amarelo. Aquele que meus olhos de 4 anos enxergavam e que me despertava o sono da tarde, quando as crianças dormiam em suas esteiras de palha. Tudo era silêncio e cor, e o mundo era cheio de plácida despretensão e doçura. Não me recordo quando deixei de voar em meus sonhos. Provavelmente no mesmo instante em que as cores desbotaram. Como me permiti apenas sonhar com os pés aterrados no chão? Antes de qualquer resposta indulgente, estavam suspensos, sem que de sonhos precisassem. Mergulhar no seu mundo de reminiscências, abriu uma porta para as minhas próprias. Os lugares, os amores, as pessoas... estava leve.
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Leve como no jardim... eu, meu tapete de palha, minhas cores fortes e a complacência de quando as coisas não precisavam fazer tanto sentido.
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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Dualidades...

Faces on an Icon, Pavel Filonov, 1940
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"E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância – irmãos siameses que não estão pegados."
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Fernando Pessoa.
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sábado, 7 de novembro de 2009

"O homem que diz "tô" não tá, porque ninguém tá quando quer..."



Dia desses ao sair na companhia da senhora minha mãe, rascunhei no pensamento observações que ganharam revisão e acabamento.
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Às sete horas estávamos paradas no ponto de táxi. Do percurso até lá, mamãe reclamou da noite mal dormida ao gotejo da pia da cozinha. Havia acordado de mal humor, certamente. Ignorando aquela perigosa condição, disse-lhe: Mãe, só tem 'Santana'! Não gosto de carros baixos, quando solavancam minha coluna grita. Ela sorriu debochando: "Que garota insuportável!" Não absorvi como indelicadeza e logo pensei na lógica das mães, a de que os filhos beiram a meninice eterna, e nessa fase ninguém tem problemas de coluna!
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Dois minutos depois, um carro com amortecimento confiável. Não tivemos tempo para sentir o constrangimento de quem pega carona com um estranho. O taxista era um senhor de meia idade simpatissíssimo ouvindo Baden Powell às 7 da manhã! Sem solavancos e com a virtuosidade do Baden, olhei pela janela e o Rio estava lindo, já havia iniciado a onda de calor que se prolonga por esses dias. O seu João, deixou-nos em nosso destino e foi-se, logo nos primeiros acordes de 'Berimbau'. Essa foi por pouco, dois ou três sinais fechados que fossem: "Quem de dentro de si não sai! Vai morrer sem amar ninguém! O dinheiro de quem não dá. É o trabalho de quem não tem! Capoeira que é bom não cai! E se um dia ele cai, cai bem!..."
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No carro, na recepção onde chegamos, presteza e boa educação. Já na rua, mesmo andando apressadas na intenção de seus afazeres, nesse tipo de rotina que nos cega do entorno, várias pessoas disseram-nos 'bom dia'. Pensei: como gentileza e educação suavizam a vida! Pelo menos a minha! Independente da instabilidade dos meus humores, não preciso de muito para que a rotina ganhe contornos leves.
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Educação. Respeito. Delicadeza. Bom humor. Gentileza. Atenção. Thata. O sorriso da Clarinha. Idas ao cinema. O mar. A falta de pressa e os olhares atentos dos passeios a pé. Amigos. Reuniões de família. Fotografia. Crianças. Animais. Anciões andando de mãos dadas. Música. Aprender algo novo todos os dias. Escrever. Céu aberto com nuvens esparsas. Arpoador. Bilhetes em guardanapo de papel. Cheiros. Casais conversando durante as refeições. Observar. Conhecer novos lugares. Comer algo que se tem vontade. A lembrança que mantém estórias e pessoas vivas. Flores. Utilizar eletrodomésticos sem ler o manual de instruções. Livrarias e cafés. Nadar. Infância. Abraços...
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Costumo reescrever essa lista quando troco de agenda todos os anos. Um auxílio a minha memória e um retrato das mudanças pelas quais passo. Hoje, subtraio mais do que adiciono. O que me dá a sensação de que a tal leveza que suaviza os meus dias é a própria vida, que num momento ou outro foi carregada de vícios, sobrepeso, omissões e maus hábitos. Por favor, não confundir vida tocada em prosa de Badens, Vinícius e Chicos... com vida fácil. Não tem nada de facilidade em viver. Mas há a desmistificação,
que nos liberta dos excessos, das atitudes condicionadas e relativiza as importâncias.
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Talvez eu pegue um Santana da próxima vez... quem sabe.





Berimbau, Badi Assad e Toquinho
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O significante e o significado...


Yael Naim, Yashanti

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A letra em hebraico altera a 'compreensão'?

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"A música é, diz-se, o indizível
por ser de inexprimível sentimento
da consciência, ou um estado de alma,
ou uma amargura tão extrema e lúcida
que passa das palavras para ser
apenas o ritmo e os sons e os timbres
só pelos músicos cientes de harmonia
e de composição imaginados. Mas,
se assim fosse, eles só dos homens
saberiam mover-se nos espaços
que a humanidade abandonada encontra
nos desertos de si. Começariam
onde a expressão verbal não se articula
por impossível. Viveriam sempre
na fímbria estreita à beira da maldade
e do absurdo, como que suspensos
na solidão da morte sem palavras.
Não é, portando, a música o limite
ilimitado dos limites da linguagem,
para dizer-se o que não é dizível.
Mas, se não é, que dizem lancinantes,
neste discreto passeio pelo tempo,
os quatro instrumentos semelhantes
no seu modo de criarem som?
Tão terrível. Sufocante. Doce
ou agridoce desconcerto harmônico.
(...) Não há tristeza alguma nesta
vida transformada em puro som,
em homogênea outra realidade?
Não é de angústia este rasgar melódico
da consciência antes de criar-se humana?
(...) Se há mistério na grandeza ignota,
e se há grandeza em se criar mistério,
esta música existe para perguntá-lo.
E porque se interroga e não a nós,
ela se justifica e justifica
o próprio interrogar com que se afirma
não quintessência ela, mas raiz profunda
daquilo que será provável ou possível
como consciência, quando houver palavras
ou quando puramente inúteis forem."
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Jorge de Sena, in: A Arte da Música.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Agenda: Woody Allen em 40 filmes...



Para quem ainda cumpre resguardo pós Festival do Rio (quem assistiu 50 filmes ou mais, sabe do que estou falando), o CCBB vem com uma irresistível retrospectiva da carreira do cineasta Woody Allen.
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De amanhã até o dia 29 de novembro a mostra "A elegância de Woody Allen", exibirá 40 filmes entre longas-metragens dirigidos por ele e trabalhos nos quais atuou como roteirista ou ator. Ainda fazem parte da programação, cursos, exibição de filmes dedicados ao diretor e debates.
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A produção do cineasta levanta discussões acaloradas. É comum ouvir ressalvas sobre seu estilo, criticado por ser recorrente em cenários, situações, diálogos e na caracterização de tipos pernósticos, hipocondríacos e paranóicos. Mas há quem discorde, sobretudo o séquito de fãs que acompanham seus mais de 40 anos de carreira. Não sou crítica ferrenha, nem entusiasta fanática, mas gosto dele. Acho perspicaz a forma como traduz inquietações pessoais e a lógica das relações, afinal, todas aquelas "ruminaçõezinhas" são típicas dos relacionamentos e das nossas crises existenciais. Teorias à parte, constam em sua filmografia grandes clássicos. Nesta retrospectiva é imprescindível assistir: "Hannah e suas Irmãs", "Match Point", "A Rosa Púrpura do Cairo", "Crimes e Pecados", "A Era do Rádio", e os meus preferidos, "Manhattan" e "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa".
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Programe-se:
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[1966] O QUE HÁ, TIGRESA? (WHAT'S UP, TIGER LILY?)
Dia 07/11, sábado às 16h
Dia 18/11, quarta-feira às 17h30
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[1969] UM ASSALTANTE BEM TRAPALHÃO (TAKE THE MONEY AND RUN)
Dia 20/11, sexta-feira às 15h30
Dia 25/11, quarta-feira às 17h30
Dia 29/11, domingo às 14h
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[1971] BANANAS
Dia 05/11, quinta-feira às 19h30
Dia 14/11, sábado às 16h
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[1972] TUDO QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER SOBRE SEXO, MAS TINHA MEDO DE PERGUNTAR (EVERYTHING YOU ALWAYS WANTED TO KNOW ABOUT SEX, BUT WERE AFRAID TO ASK)
Dia 11/11, quarta-feira às 15h30
Dia 22/11, domingo às 20h
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[1973] DORMINHOCO (SLEEPER)
Dia 06/11, sexta-feira às 17h30
Dia 21/11, sábado às 18h
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[1975] A ÚLTIMA NOITE DE BORIS GRUSHENKO (LOVE AND DEATH)
Dia 14/11, sábado às 20h
Dia 17/11, terça-feira às 15h30
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[1977] NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA (ANNIE HALL)
Dia 15/11, domingo às 18h
Dia 19/11, quinta-feira às 17h30 *sessão seguida de debate
Dia 24/11, terça-feira às 18h30
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[1978] INTERIORES (INTERIORS)
Dia 19/11, quinta-feira às 15h30
Dia 29/11, domingo às 16h
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[1979] MANHATTAN
Dia 07/11, sábado às 20h
Dia 11/11, quarta-feira às 19h30
Dia 15/11, domingo às 14h
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[1980] MEMÓRIAS (STARDUST MEMORIES)
Dia 07/11, sábado às 18h
Dia 26/11, quinta-feira às 17h30 *sessão seguida de debate
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[1982] SONHOS ERÓTICOS DE UMA NOITE DE VERÃO (A MIDSUMMER NIGHT’S SEX COMEDY)
Dia 17/11, sexta-feira às 15h30
Dia 22/11, domingo às 16h
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[1983] ZELIG
Dia 17/11, terça-feira às 17h30
Dia 25/11, quarta-feira às 15h30
Dia 29/11, domingo às 20h
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[1984] BROADWAY DANNY ROSE
Dia 24/11, terça-feira às 17h30
Dia 28/11, sábado às 20h
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[1985] A ROSA PÚRPURA DO CAIRO (THE PURPLE ROSE OF CAIRO)
Dia 08/11, domingo às 14h
Dia 18/11, quarta-feira às 19h30
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[1986] HANNAH E SUAS IRMÃS (HANNAH AND HER SISTERS)
Dia 08/11, domingo às 18h
Dia 10/11, terça-feira às 15h30
Dia 13/11, sexta-feira às 19h30
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[1987] A ERA DO RÁDIO (RADIO DAYS)
Dia 08/11, domingo às 20h
Dia 20/11, sexta-feira às 17h30
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[1987] SETEMBRO (SEPTEMBER)
Dia 24/11, terça-feira às 15h30
Dia 28/11, sábado às 16h
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[1988] A OUTRA (ANOTHER WOMAN)
Dia 21/11, sábado às 16h
Dia 26/11, quinta-feira às 13h30
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[1989] CONTOS DE NOVA YORK - SEGMENTO "ÉDIPO ARRASADO" (NEW YORK STORIES - SEGMENT "OEDIPUS WRECKS")
Dia 20/11, sexta-feira às 19h30
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[1989] CRIMES E PECADOS (CRIMES AND MISDEMEANOURS)
Dia 14/11, sábado às 18h
Dia 27/11, sexta-feira às 19h30
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[1990] SIMPLESMENTE ALICE (ALICE)
Dia 05/11, quinta-feira às 17h30
Dia 10/11, terça-feira às 19h30
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[1991] NEBLINAS E SOMBRAS (SHADOWS AND FOG)
Dia 06/11, sexta-feira às 19h30
Dia 11/11, quarta-feira às 17h30
Dia 15/11, domingo às 16h
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[1992] MARIDOS E ESPOSAS (HUSBANDS AND WIVES)
Dia 17/11, terça-feira às 19h30
Dia 26/11, quinta-feira às 15h30
Dia 28/11, sábado às 18h
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[1993] UM MISTERIOSO ASSASSINATO EM MANHATTAN (MANHATTAN MURDER MYSTERY)
Dia 08/11, domingo às 16h
Dia 10/11, terça-feira às 17h30
Dia 12/11, quinta-feira às 19h30
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[1994] TIROS NA BROADWAY (BULLETS OVER BROADWAY)
Dia 21/11, sábado às 20h
Dia 25/11, quarta-feira às 13h30
Dia 29/11, domingo às 18h
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[1995] PODEROSA AFRODITE (MIGHTY APHRODITE)
Dia 13/11, sexta-feira às 13h30
Dia 22/11, domingo às 14h
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[1996] TODOS DIZEM EU TE AMO (EVERYONE SAYS I LOVE YOU)
Dia 04/11, quarta-feira às 17h30
Dia 15/11, domingo às 20h
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[1997] DESCONSTRUINDO HARRY (DECONSTRUCTING HARRY)
Dia 22/11, domingo às 18h
Dia 25/11, quarta-feira às 19h30
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[1998] CELEBRIDADES (CELEBRITY)
Dia 27/11, sexta-feira às 15h
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[1999] SWEET AND LOWDONW (POUCAS E BOAS)
Dia 04/11, quarta-feira às 19h30
Dia 13/11, sexta-feira às 17h30
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[2000] TRAPACEIROS (SMALL TIME CROOKS)
Dia 18/11, quarta-feira às 13h30
Dia 27/11, sexta-feira às 17h30
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[2001] O ESCORPIÃO DE JADE (THE CURSE OF THE JADE SCORPION)
Dia 17/11, terça-feira às 13h30
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[2001] SOUNDS FROM A TOWN I LOVE (SOUNDS FROM A TOWN I LOVE)
Dia 07/11, sábado às 20h
Dia 11/11, quarta-feira às 19h30
Dia 15/11, domingo às 14h e 18h
Dia 19/11, quinta-feira às 17h30
Dia 24/11, terça-feira às 18h30
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[2002] DIRIGINDO NO ESCURO (HOLLYWOOD ENDING)
Dia 06/11, sexta-feira às 15h30
Dia 10/11, terça-feira às 13h
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[2003] IGUAL A TUDO NA VIDA (ANYTHING ELSE)
Dia 05/11, quinta-feira às 13h30
Dia 20/11, sexta-feira às 13h30
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[2004] MELINDA E MELINDA (MELINDA AND MELINDA)
Dia 05/11, quinta-feira às 15h30
Dia 11/11, quarta-feira às 13h30
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[2005] MATCH POINT (MATCH POINT)
Dia 12/11, quinta-feira às 17h
Dia 24/11, terça-feira às 13h
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[2006] SCOOP - O GRANDE FURO (SCOOP)
Dia 19/11, quinta-feira às 13h30
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[2007] O SONHO DE CASSANDRA (CASSANDRA’S DREAM)
Dia 06/11, sexta-feira às 13h30
Dia 12/11, quinta-feira às 15h30
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[2008] VICKY CRISTINA BARCELONA
Dia 12/11, quinta-feira às 13h
Dia 18/11, quarta-feira às 15h30
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Mostra "A Elegância de Woody Allen"
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66, Centro
De 04 à 29 de novembro
Bilheteria: Ter à dom, das 10h às 21h
Ingressos: R$ 6 (inteira) R$ 3 (meia)
Mais informações: http://www.woodyallen.com.br/
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sobre os vícios do tempo: tédio, hábito e rotina.



"Com respeito à natureza do tédio encontram-se frequentemente conceitos errôneos. Crê-se em geral que a novidade e o caráter interessante do seu conteúdo "fazem passar" o tempo, quer dizer, abreviam-no, ao passo que a monotonia e o vazio estorvam e retardam o seu curso. Mas não é absolutamente verdade. O vazio e a monotonia alargam por vezes o instante ou a hora e tornam-nos "aborrecidos"; porém, as grandes quantidades de tempo são por elas abreviadas e aceleradas, a ponto de se tornarem um quase nada. Um conteúdo rico e interessante é, pelo contrário, capaz de abreviar uma hora ou até mesmo o dia, mas, considerado sob o ponto de vista do conjunto, confere amplitude, peso e solidez ao curso do tempo, de tal maneira que os anos ricos em acontecimentos passam muito mais devagar do que aqueles outros, pobres, vazios, leves, que são varridos pelo vento e voam. Portanto, o que se chama de tédio é, na realidade, antes uma simulação mórbida da brevidade do tempo, provocada pela monotonia: grandes lapsos de tempo quando o seu curso é de uma ininterrupta monotonia chegam a reduzir-se a tal ponto, que assustam mortalmente o coração; quando um dia é como todos, todos são como um só; e numa uniformidade perfeita, a mais longa vida seria sentida como brevíssima e decorreria num abrir e fechar de olhos.
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O hábito é uma sonolência, ou, pelo menos, um enfraquecimento do senso do tempo, e o fato dos anos de infância serem vividos vagarosamente, ao passo que a vida posterior se desenrola e foge cada vez mais depressa, esse fato também se baseia no hábito. Sabemos perfeitamente que a intercalação de mudanças de hábitos, ou de hábitos novos, constitui o único meio de manter a nossa vida, de refrescar a nossa sensação de tempo, de obter um rejuvenescimento, um reforço, um atraso da nossa experiência do tempo, e com isso, a revolução da nossa sensação da vida em geral. Tal é a finalidade da mudança de lugar e de clima, da viagem de férias: nisso reside o que há de salutar na variação e no episódio. Os primeiros dias num ambiente novo têm um curso juvenil, quer dizer, vigoroso e amplo - seis ou oito dias. Depois, na medida em que a pessoa se "aclimata", começa a senti-los abreviarem-se: quem se apega à vida, ou melhor, quem gostaria de apegar-se à vida nota, com horror, como os dias começam a tornar-se leves e furtivos; e a última semana - de quatro, por exemplo - é de uma rapidez e fugacidade inquietante. Verdade é que a vitalização do nosso senso de tempo faz-se sentir para além do interlúdio, e desempenha o seu papel ainda quando a pessoa já voltou à rotina; os primeiros dias que passamos em casa, depois desta variação, afiguram-se-nos também novos, amplos e juvenis, mas somente uns poucos: porque a gente acostuma-se mais rapidamente à rotina do que à sua suspensão, e quando o nosso senso do tempo está fatigado pela idade, ou nunca o possuímos desenvolvido em alto grau - o que é sinal de pouca força vital - volta a adormecer muito depressa, e ao cabo de vinte e quatro horas já é como se a pessoa jamais tivesse partido e a viagem não passasse de um sonho de uma noite."
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Thomas Mann, in: A Montanha Mágica.
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Agenda: Bisilliat, Lam, Panorama de Dança...

Índio passando urucum, por Maureen Bisilliat, 1970
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Exposição "Maureen Bisilliat: fotografias"
A própria fotógrafa inglesa, radicada no Brasil desde 1957, selecionou as mais de 250 imagens expostas. Ensaios fotográficos que retratam desde o universo de Guimarães Rosa, os Sertões de Euclides da Cunha, os índios do Xingu, as Caranguejeiras numa referência ao poema de João Cabral de Melo Neto à viagens a Bolívia, China e Japão.

Instituto Moreira Salles
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
De 08 de outubro à 17 de janeiro de 2010
Ter a sex, das 13h às 20h; sáb, dom e feriados, das 11h às 20h
Entrada Franca
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A Espera, Lydio Bandeira de Mello, 1958
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Exposição "Bandeira de Mello, Eu existo assim"
Como Bisilliat, foi o artista de 80 anos, que realizou a seleção e concepção da mostra, que conta com 65 obras, entre telas e desenhos a grafite. Os temas abordados vão de nus femininos a cenas com camponeses, personagens recorrentes em sua obra. Também integram a exposição, os dois painéis de 33 metros instalados permanentemente no mezanino do centro cultural.

Espaço Caixa Cultural
Avenida Almirante Barroso, 25, Centro
De 26 de outubro à 17 de janeiro de 2010
Ter à sex, das 10h às 22h; sáb, dom e feriados, das 10h às 21h.
Entrada Franca
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Gravidade Zero, Companhia Andréa Maciel
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Festival "Panorama de Dança 2009"
Essa 18º edição do festival de dança contemporrânea, conta com mais de 30 atrações espalhadas democraticamente nos espaços mais diversos da cidade. A abertura terá o Ballet de Lorraine com Répertoire – Lamentation (Martha Gaham), La mère e Étude révolutionnaireDuo d’Eden (Maguy Marin), Steptext (William Forsythe), no Teatro João Caetano, a partir das 20h.

De 5 à 15 de novembro
Locais das apresentações, horários e programação completa, no site do Festival: http://panoramafestival.com/
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The Jungle, Wifredo Lam, 1943
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Exposição "LAM: gravuras"
A primeira grande mostra do artista plástico Wifredo Lam no país, percorre quarenta anos da obra do mais célebre pintor cubano, desde os desenhos que ilustraram livros de poetas e escritores como André Breton e Gabriel Garcia Márquez, até as últimas gravuras, realizadas em 1982.

Espaço Caixa Cultural (Galeria 3)
Av. Almirante Barroso, 25, Centro
De 22 de outubro à 03 de janeiro de 2010
Ter a sáb, das 10h às 22h; dom, das 10h às 21h
Entrada Franca

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Mais de Cuba...
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Omara Portuondo, Tal vez
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Mexe daí... bom final de semana!
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Interiores...

Gregory Colbert, Ashes and Snow.

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"Só existe uma solidão. É grande e difícil de suportar. E quase todos nós conhecemos horas em que de bom grado a cederíamos a troco de qualquer convivência, por muito trivial e mesquinha que fosse; até pela simples ilusão de uma pequena coincidência com qualquer outro ser, mesmo com o primeiro que aparecesse, ainda que assim resultasse talvez menos digno. Mas acaso sejam estas, precisamente, as horas em que a solidão cresce – pois o seu desenvolvimento é doloroso como o crescimento das crianças e triste como o início da Primavera – ela, sem embargo, não deve desconcertá-lo, pois o único que, por certo, nos faz falta é isto: Solidão, grande e íntima solidão. Mergulhar em si mesmo e, durante horas e horas, não encontrar ninguém… Isto é o que importa conseguir. Estarmos sós, como estivemos sós quando éramos crianças, enquanto à nossa volta andavam os grandes de um lado para o outro, enredados em coisas que pareciam importantes e grandes, só porque eles se mostravam muito atarefados, e porque nós não entendíamos nada dos seus afazeres..."
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Rainer Maria Rilke, in: Cartas a um Jovem Poeta.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

É melhor ser alegre que ser triste?


Sebastian Bach, Suíte nº.1 para violoncello, por Mischa Maisky.
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O senso comum a respeito do sentimento melancólico, quase nunca se desassocia da tristeza. Penso nele de forma menos pejorativa, posto que as coisas mais belas que ouço, leio ou vejo são redundantemente melancólicas.
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Este Prelúdio de Bach.
Poesias do Fernando Pessoa e da Florbela Espanca
O som do mar
Passeios pelo Jardim Botânico
O instante em que se captura a imagem na fotografia
Filmes do Fellini
Personagens da literatura, de Dom Quixote ao Pequeno Príncipe, um gurizinho melancólico...
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Por que incorporar uma falsa felicidade, se existe beleza em ser questionador, inconstante e complacente com as próprias imperfeições?!


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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Por onde anda a civilidade perdida?!

Narcissus, Caravaggio, 1597.
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"Quanta felicidade dá a grata suavidade das coisas! Como a vida é cintilante e de bela aparência! São as grandes falsificações, as grandes interpretações que sempre nos têm elevado acima da satisfação animal, até chegarmos ao humano. Inversamente: que nos trouxe a chiadeira do mecanismo lógico, a ruminação do espírito que se contempla ao espelho, a dissecação dos instintos? Suponde vós que tudo era reduzido a fórmulas e que a vossa crença era confinada à apreciação de graus de verosimilhança, e que vos era insuportável viver com tais premissas… que fazíeis vós? Ser-vos-ia possível viver com tão má consciência? No dia em que o homem sentir como falsidade revoltante a crença na bondade, na justiça e na verdade escondida das coisas, como se ajuizará ele a si mesmo, sendo como é, parte fragmentária deste mundo? Como um ser revoltante e falso?"
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Nietzsche, in: A Vontade de Poder.
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os elos que nos unem...

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Aprecio os encontros. Aqueles que se notabilizam por algo especial, que ganham ramificações, tendo pouco a ver com esbarrões, relações artificiais e presenças datadas. Geralmente dão origem à grandes relações de amor, de amizade. Muitas vezes se misturam, se invertem, é bem verdade. Amores que se transformam em amizade, e o contrário, o que cabe aqui.

Do encontro na época da faculdade, onde faziam parte de um grupo, daqueles que pessoas com algo em comum criam, para "sobreviver" à ambientes inóspitos. Passando pelas mudanças do tempo, os caminhos inevitavelmente unívocos, e elos que não se dissolveram nesses dez anos, dois membros da Sociedade Anônima dos Portadores da Síndrome de Capgras* (vocês lembram disso?!), vão se casar daqui algumas semanas.

Tendo partilhado toda a estória desse encontro de amor, estou particularmente emotiva. Tudo o que eu desejo no momento, é que vocês sejam irrevogavelmente felizes.

As fotos a seguir são do chá de panela. Coube a mim "entreter" o clube da Luluzinha e contribuir para a manutenção de um item importante no casamento: não matar o parceiro de fome!
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Na esteira da ascendência dos noivos, uma bela pasta italiana:


Os ingredientes são de uma simplicidade franciscana: farinha, sal e ovos. Mas o segredo de uma boa massa, fica na utilização de farinha de semolina e ovos caipiras. A proporção é de 100g de farinha para cada ovo
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Faça um buraco no centro e adicione os ovos. Mexa de dentro para fora, em sentido horário
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O grano duro e os ovos caipiras dão mais sabor e cor à massa. Em compensação, é necessário um certo esforço para sová-la. De pegajosa, ela adquire uma textura lisa e brilhosa. Depois de bem sovada, envolva a massa com plástico filme e deixe descansar por 30 minutos

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Após o breve cochilo, corte-a em quatro partes e abra, uma por vez. Não dispúnhamos de máquina, o que facilita bastante o manuseio. O jeito foi esticar com o rolo, também dá certo. Importante: enquanto uma das partes é aberta, mantenha as outras cobertas com um pano

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A espessura da folha de massa deve ficar quase translúcida, portanto, estique-a bem, não esquecendo de enfarinhar a superfície. Feito isso, corte com um rolete ou faca
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Deixe a massa descansar em cima de uma toalha, não cubra!
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Cozinhe em água bem quente e um generoso fio de azeite. Cuidado com o tempo de cozimento. Massas frescas chegam ao ponto, mais rápido que as industrializadas. Quem já experimentou uma pasta feita artesanalmente, sabe que o sabor e a textura compensam o trabalho. Sem contar os molhos, que se incorporam mais facilmente a esse tipo de massa

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Neste molho do fettuccine, usei: cebola, cogumelos shitake, repolho liso e roxo cortados em lâminas. Tudo refogado no azeite e molho shoyo. Não demore mais que três minutos, a intenção é que fiquem al dente. Por último, adicione filé mignon cortado em tiras, previamente passadas na manteiga. Só depois corrija o sal

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"Sempre preferi gente ao tempo e ao espaço. Assim, meus referenciais são exclusivamente humanos. Cada época de minha vida está marcada na memória e nos sentimentos por determinadas pessoas que conheci e com as quais convivi. Não me lembro de quase nada do local onde as encontrei, esqueço as datas, as épocas, o clima e as durações dos relacionamentos. Mas as expressões dos rostos, os gestos das mãos, o calor dos corpos, os sentimentos, as emoções, os desejos, aos milhares, estão intactos, vivos e atuais dentro de mim."
Roberto Freire, in: O Coiote.
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* Síndrome de Capgras é um distúrbio caracterizado pela convicção de que pessoas, geralmente as mais próximas (pais, irmãos, cônjuge...), foram substituídas por cópias idênticas. Felizmente nenhum de nós possui a doença. Tudo fazia parte de uma brincadeira, que ironizava o fato de que todos mantinham relações de "inadequação ideológica" com os pais (o tempo passou, e os termos ficaram civilizados!).
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Sertão: é dentro da gente"

Grande Sertão: Veredas, trecho final narrado pela Maria Bethânia
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Absorvo nova literatura sem hermetismo ou preconceitos, mas tenho predileção pelos clássicos, sobretudo os romances. Como é bom relê-los. Foi o que pensei quando, sem as abstrações das últimas semanas, conclui minha terceira releitura de Grande Sertão: Veredas. E não é que pareceu-me completamente novo? Riobaldo, Diadorim, a narrativa, os aforismos, tudo estava diferente. Na verdade, mesmo os clássicos, são sempre os mesmos. São as pessoas que mudam ou como se lê em Sertão: "(...) nada é fixo, tudo é "de incerto jeito" (...)"
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Trechos do romance escrito pelo gênio, João Guimarães Rosa:
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"O correr da vida embrulha tudo,
a vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
O que Deus quer é ver a gente
aprendendo a ser capaz
de ficar alegre a mais,
no meio da alegria,
e inda mais alegre
ainda no meio da tristeza!
A vida inventa!
A gente principia as coisas,
no não saber por que,
e desde aí perde o poder de continuação
porque a vida é mutirão de todos,
por todos remexida e temperada.
O mais importante e bonito, do mundo, é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas,

mas que elas vão sempre mudando.
Afinam ou desafinam. Verdade maior.
Viver é muito perigoso; e não é não.
Nem sei explicar estas coisas.
Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor."

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"Só o que eu quis, todo o tempo, o que eu pelejei para achar, era uma só coisa – a inteira – cujo significado vislumbrado dela eu vejo que sempre tive. A que era: que existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver – e essa pauta cada um tem – mas a gente mesmo, no comum não sabe encontrar; como é que, sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber? Mas, esse norteado tem. Tem que ter. Se não, a vida de todos ficava sempre o confuso dessa doideira que é. E que: para cada dia, e cada hora, só uma ação possível da gente é que consegue ser a certa. Aquilo está no encoberto; mas fora dessa conseqüência, tudo o que eu fizer, o que o senhor fizer, o que o beltrano fizer, o que todo-o-mundo fizer, ou deixar de fazer, fica sendo o falso, e é o errado. Ah, porque aquela outra é a lei, escondida e vivível mas não achável, do verdadeiro viver: que para cada pessoa, sua continuação, já foi projetada como o que se põe, em teatro, ara cada representador – sua parte, que antes já foi inventada, num papel…"

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Agenda: Vacas vermelhas no telhado!?

Marc Chagall, 1887-1985
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Fiz menção a pelo menos meia dúzia de eventos relacionados ao ano da França no Brasil, mas um em especial promete ser bem significativo. O Museu Nacional de Belas Artes recebe a partir do dia 16, a exposição "O Mundo Mágico de Marc Chagall – O Sonho e a Vida". Séries completas do pintor judeu nascido na Rússia e naturalizado francês, reunidas em pouco mais de 300 obras.
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Sobrevivente da revolução bolchevique e do nazismo, o artista usava ícones da cultura judaico-russa e recordações infantis, associados a elementos cubistas e surrealistas, resultando num mundo mágico, de exaltação do subconsciente, do ilógico, cheio de miragens oníricas e grande riqueza cromática.
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Chagall é um dos meus pintores preferidos, e mesmo se não fosse, iria dizer-lhes: não percam a oportunidade!
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Noivas flutuantes, romantismo, seres alados, bichos equilibrados em telhados... Alguns de seus sonhos pictóricos:
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Birthday, 1915

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The Message of Odysseus, 1967-1968 (Mosaic)

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A Group of People, 1914-1915 (pencil, whitewash on paper)

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Russian Village Under Moon, 1911
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I And the Village, 1911
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Self-Portrait with Muse "Dream", 1917-1918
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The Soldier Drinks, 1911-1912
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Enchantment Vesperal, 1913
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Self-Portrait with Seven Digits, 1912-1913
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Blue Lovers, 1914
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Homage to Apollinare, 1911-1912

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Museu Nacional de Belas Artes
Avenida Rio Branco, 199, Cinelância
De 16 de outubro à 06 de dezembro
Ter à sex, das 10h às 18h - sáb e dom, das 12h às 17h

Ingressos: R$ 5,00 (estudantes pagam R$ 2,00). Entrada franca aos domingos.

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

"Esperando Godot" no escurinho do cinema...

Samuel Beckett, por John Minihan, 1969


Fim de festa... 2 semanas, 51 filmes, mais de 90 horas de projeções.
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Havia uns bons anos que não conseguia dar vazão ao meu ufanismo cinéfilo e acompanhar tão de perto o Festival de Cinema do Rio, que diga-se de passagem, esteve muito regular. Teve diretores alçados ao posto de gênios (com louvor) por alguns de seus trabalhos e que por isso, não se espera nada menos que o melhor de suas criações. É o caso do Almodóvar e do Quentin Tarantino. O diretor espanhol abriu mão da sua indefectível marca tragicômica em Abraços Partidos. As auto referências continuam lá, mas com um Almodóvar mais dramático e menos kitsch. Já Tarantino se mantém fiel ao seu estilo verborrágico, sanguinolento e nerd, em Bastardos Inglórios. Qual adjetivo melhor para o diretor que retrata um filme com temática de guerra (ocupação nazista!), sem se preocupar com ambientação histórica? Ambos são bons filmes, mas nenhuma obra-prima na filmografia de ambos.

Outro grande nome, Ang Lee, passou com média superior aos seus colegas. Aconteceu em Woodstock é um excelente filme, e consolida sua versatilidade como diretor que passeia por linguagens tão diversas como as de Razão e Sensibilidade, O Tigre e o Dragão, Desejo e Perigo, e Brokeback Moutain.

Outros filmes altamente recomendáveis são: O Segredo Dos Seus Olhos, Five Minutes of Heaven, Nova York Eu Te Amo, Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, Distante Nós Vamos, Teatro de Guerra, Aquário, O Desinformante, The Burning Plain, Tokyo, A Margem do Lixo, The White Ribbon, As Praias de Agnes e (500) Dias Com Ela.

Acredito que boa parte deles entre em circuito nas próximas semanas. Vale conferir! Entretanto, há sempre o que nos desperta maior ou menor entusiasmo. Neste caso, o meu filme "pulga de cadeira" foi Eu, Ela e Minha Alma. Cópia sem vergonha do clássico do Michel Gondry, o adorável Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças.

Já o preferido é brasileiro, fruto de uma adaptação homônima do teatro, A Falta Que Nos Move. A história é simples. Trata-se de um encontro entre cinco amigos numa casa, onde bebem e conversam, enquanto preparam o jantar para uma sexta pessoa que ninguém sabe quem é, e a que horas vai chegar. Até aí, nenhum prêmio de roteiro original. O pulo do gato fica no experimentalismo com que a diretora Christianne Jatahy retrata os limites entre a realidade e a ficção. Essa linguagem se traduz nas 13 horas ininterruptas em que o filme foi rodado, na questão dos atores serem também personagens, já que são chamados pelos próprios nomes, e na condução da direção, que se apoiou num roteiro pré-estabelecido, mas foi feita exclusivamente por mensagens de celular durante a filmagem.

O espectador é levado a refletir sobre o que é real ou encenação, em que momento os atores estão sendo eles mesmos, afinal seria possível viver um personagem ao longo de treze horas? Durante o período (que às vezes soa bem atemporal) em que eles aprontam o tal jantar, vêm à tona dores humanas, carência, amor, cumplicidade, rupturas, ausências... é quando num dado momento, percebemos que o convidado nunca vai chegar.

Imperdível filme, do tipo que instiga pela metalinguagem, e faz pensar que quando somos confrontados com a ausência de algo, cada qual reage de uma forma. Uns valorizam, outros tornam-se melancólicos ou amargos, encontram substitutivos, resignam-se ou mudam o estado das coisas... o fato é que sempre vai existir uma falta que nos move, o que diverge, é para onde.


Lembrando que tem repescagem de alguns filmes do festival a partir dessa sexta-feira até o dia 15 de outubro, somente no Espaço de Cinema 1, 2 e 3.
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Informações sobre os filmes e horários do repeteco no site:
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Para quem perdeu, eis uma boa oportunidade. Para mim, já deu. Até o ano que vem!
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"Toda filosofia esconde também uma filosofia. Toda opinião é também um esconderijo, toda palavra também uma máscara."
Nietzsche.
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sábado, 3 de outubro de 2009

Fazendo parte da história...

The Gods of Olympus, Giulio Romano, 1528
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Brincaram comigo por conta do post anterior, aquela minha meta de assistir cinquenta filmes no Festival de Cinema do Rio (a propósito, ontem cheguei a marca de 24). Se a paixão pela sétima arte é enorme, eleve isso ao quadrado, e talvez cheguemos a uma equação justa do meu entusiasmo por esportes.

Um apreço que vai além dos vários anos dedicados à pratica da natação e o frustrado ímpeto de que isso se convertesse numa atividade profissional (o fato é que eu era bem medíocre e tinha pernas curtas). Tênis, basquete, saltos ornamentais, vôlei, ginástica artística, handebol, pentatlo moderno, esgrima, badminton, judô, ciclismo, remo, pólo aquático, hipismo... compreendo as regras de boa parte deles e os acompanho desde 1988, quando aos 10 anos, assisti minha primeira Olimpíada.

A história dos Jogos é bem mais antiga que isso. Foram criados pelos gregos há mais de 3 mil anos em forma de festivais desportivos que cultuavam os deuses do Olimpo, principalmente Zeus, Deus do céu e do trovão, rei de todos os deuses. Alguns aconteciam mensalmente, outros anualmente. Já os Jogos de Olímpia eram realizados de 4 em 4 anos, e aos que venciam as provas, cabia uma Coroa de Oliveira.

Com a conquista da Grécia pelos Romanos, os ideais que norteavam as competições se desvirtuaram. Os prêmios, a corrupção, a predileção por espetáculos violentos, arruinaram os ideais olímpicos. Em 392 a.c, o imperador Teodósio I, proibiu os Jogos a pretexto de serem manifestações pagãs.
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Ruínas do Templo de Zeus, hoje, sítio arqueológico tombado pela UNESCO
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Só em 1896 as competições foram retomadas em Atenas, por iniciativa do Barão de Coubertin. Os primeiros Jogos da Era Moderna continuariam a ser disputados quadrienalmente, com o objetivo maior de promover a amizade e a paz entre os povos. Conceitos do espírito olímpico que nem sempre foram respeitados, como quando os Jogos foram interrompidos em 1916 e no período de 1939 à 1945, devido a primeira e segunda Guerras Mundiais. Quando o ataque terrorista planejado por palestinos do grupo Setembro Negro vitimou 11 atletas israelenses, nas Olimpíadas de Munique ou no episódio em que Estados Unidos e a Antiga União Soviética, boicotaram os jogos de Moscou e Los Angeles, respectivamente.
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Jesse Owens, prova dos 200m rasos das Olimpíadas de Berlim, 1936
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Adolf Hitler, defensor da supremacia ariana, viu Owens subir quatro vezes no lugar mais alto do pódio
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Não obstante toda essa história que envolve uma civilização riquíssima, os exemplos e alegrias proporcionados pelo esporte; sediar os Jogos como são conhecidos hoje, significa geração de empregos, visibilidade estrondosa do país para o restante do mundo, aquecimento da indústria do turístico, dissiminação da prática esportiva e por tabela, formação de novas gerações de atletas de alto nível, e acima de tudo, um bote salva-vidas. Um evento que além do gigantismo logístico, pode deixar um legado social e urbano inestimável para o Rio de Janeiro. Como entusiasta do esporte e carioca, espero que a vontade de transformação, a responsabilidade e emoção por sermos o país sede dos Jogos de 2016, sejam maiores que a vocação duvidosa de alguns em querer levar vantagem em tudo. No mais, fica a cargo da imaginação e de muito trabalho dos envolvidos na organização do evento, antever o que nos espera até lá. A única certeza é que daqui a sete anos, o mundo estará diferente, assim como você, eu... encontro marcado!
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Agenda: Festival de Cinema do Rio 2009


Qualquer cinéfilo que se preza aguarda ansioso o Festival de Cinema do Rio.

Essa 11ª edição reúne 310 filmes de 60 países, divididos em 27 mostras. A seleção está homogênia, mas a quantidade de filmes, diminuiu o número de sessões de fitas aguardadas, e que dificilmente serão exibidas no circuito convencional. Quem está sem passaporte vai cortar um dobrado. Só não entendi porque os romenos "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" e "À Leste de Bucareste" ficaram de fora, alguém sabe dizer?! A maratona de cinema, vai até o dia 08 de outubro.

Mais informações sobre todos os filmes, sinopses, locais de exibição e horários, no site do evento: http://www.festivaldorio.com.br/site2009/
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Segue, a lista dos meus 50 filmes necessários, a meta é assistir a todos, depois digo se consegui. Bom festival!
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"MOSTRA DOX"
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Teatro de Guerra
Theater of War
País: EUA, 2008
Dir: John Walter
Com: Meryl Streep, Tony Kushner, Kevin Kline, Barbara Brecht-Schall


"MOSTRA EXPECTATIVA 2009"
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A Pequenina
La Pivellina
País: Itália/Áustria, 2009
Dir: Tizza Covi, Rainer Frimmel
Com: Asia Crippa, Patrizia Gerardi
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Eu, Ela e Minha Alma
Cold Souls
País: EUA, 2008
Dir: Sophie Barthes
Com: Paul Giamatti, David Strathairn, Dina Korzum, Emily Watson

Séraphine
Séraphine
País: França/Bélgica, 2008
Dir: Martin Provost
Com: Yolande Moreau, Ulrich Tukur, Anne Bennent

O Amor Escondido
L'Amour Caché
País: Itália/Luxemburgo/Bélgica, 2007
Dir: Alessandro Capone
Com: Isabelle Huppert


"MOSTRA MUNDO GAY"
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Árvores com Figos
Fig Trees
País: Canadá, 2009
Dir: John Greyson
Com: Van Abrahams, David Wall, Deborah Overes, Ezra Perlman

An Englishman In New York
An Englishman in New York
País: Reino Unido, 2009
Dir: Richard Laxton
Com: John Hurt, Denis O’Hare, Jonathan Tucker

Morrer Como um Homen
Morrer Como um Homem
País: Portugal, 2009
Dir: João Pedro Rodrigues
Com: Fernando Santos, Alexander David, Gonçalo Ferreira de Almeida


"MOSTRA IMAGENS DA TURQUIA"
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A Caixa de Pandora
Pandora‘nin Kutusu
País: Turquia, 2008
Dir: Yesim Ustaoglu
Com: Tsilla Chelton, Derya Alabora, Onur Ünsal, Övül Avkiran


"MOSTRA HOMENAGEM À ARTE"
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Dançando no Escuro
Dancer in the Dark
País: Dinamarca/França/Suécia, 2000
Dir: Lars von Trier
Com: Björk, Catherine Deneuve, David Morse, Jean-Marc Barr

Elogio ao Amor
Éloge de L’amour
País: Suíça/França, 2001
Dir: Jean-Luc Godard
Com: Bruno Putzulu, Cécile Camp, Jean Davy

Carmel
Carmel
País: Israel/França, 2009
Dir: Amos Gitai
Com: Amitai Ashkenazi, Ben Eidel, Efratia Gitai
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"MOSTRA LIMITES E FRONTEIRAS"
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Estado de Emergência
Living in Emergency: Stories from Doctors without Borders
País: EUA, 2008
Dir: Mark N. Hopkins

Teza
Teza
País: Etiópia, 2008
Dir: Haile Gerima
Com: Abvetedla, Aaron Arefe, Takelech Beyene

O Fogo Sob a Neve
Fire Under the Snow
País: EUA, 2008
Dir: Makoto Sasa


"MOSTRA PREMIÉRE BRASIL - RETRATOS"
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Caro Francis
Caro Francis
País: Brasil, 2009
Dir: Nelson Hoineff


"MOSTRA PREMIÉRE BRASIL EM COMPETIÇÃO - LONGA FICÇÃO"
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Cabeça a Prémio
Cabeça a Prêmio
País: Brasil, 2008
Dir: Marco Ricca
Com: Alice Braga, Daniel Hendler, Fulvio Stefanini, Otavio Muller, Eduardo Moscovis, Cassio Gabus Mendes, Ana Braga, Via Negromonte, Cesar Trancoso, Denise Weinberg


"MOSTRA PREMIÉRE BRASIL HORS-CONCOURS - LONGA METRAGEM"
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À Margem do Lixo
À Margem do Lixo
País: Brasil/Portugal, 2008
Dir: Evaldo Mocarzel


"MOSTRA PREMIÉRE BRASIL - NOVOS RUMOS"
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A Falta Que Nos Move
A Falta Que Nos Move
País: Brasil, 2007
Dir: Christiane Jatahy
Com: Marina Vianna, Cristina Amadeo, Daniela Fortes, Pedro Brício, Kiko Mascarenhas


"MOSTRA BRASIL DO OUTRO"
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Sérgio, Um Brasileiro no Mundo
Sergio
País: EUA, 2009
Dir: Greg Barker
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"MOSTRA MIDNIGHT MOVIES"
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Big River Man
Big River Man
País: EUA, 2008
Dir: John Maringouin
Com: Martin Strel, Borut Strel, Matthew Mohlke
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American Boy: O Retrato de Steven Prince
American Boy: A Profile of Steven Prince
País: EUA, 1978
Dir: Martin Scorsese


"MOSTRA ISABELLE HUPPERT"
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A Separação
La Séparation
País: França, 1994
Dir: Christian Vincent
Com: Isabelle Huppert, Daniel Auteuil, Jérôme Deschamps, Karin Viard

8 Mulheres
8 Femmes
País: França, 2002
Dir: François Ozon
Com: Isabelle Huppert, Catherine Deneuve, Emmanuelle Béart, Fanny Ardant


"MOSTRA MEIO AMBIENTE"

Petrólio Bruto
Crude
País: EUA, 2009
Dir: Joe Berlinger
Com: Pablo Fajardo, Luis Yanza, Steven Donziger, Trudi Styler

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"MOSTRA PANORAMA DO CINEMA MUNDIAL"

Abraços Partidos
Los Abrazos Rotos
País: Espanha, 2009
Dir: Pedro Almodóvar
Com: Penélope Cruz, Lluís Homar, Blanca Portillo, José Luis Gómez

(500) Dias com Ela
(500) Days of Summer
País: EUA, 2009
Dir: Marc Webb
Com: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel, Geoffrey Arend, Matthew Gray Gubler

The White Ribbon
Das weiße Band
País: Alemanha, 2009
Dir: Michael Haneke
Com: Christian Friedel, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi, Burghart Klaussner

Bastardos Inglórios
Inglourious Basterds
País: EUA, 2008
Dir: Quentin Tarantino
Com: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Diane Kruger, Christoph Waltz, Michael Fassbender, Eli Roth, Daniel Brühl, Mike Myers, Julie Dreyfus

London River
London River
País: França, 2008
Dir: Rachid Bouchareb
Com: Brenda Blethyn, Sotigui Kouyaté, Francis Magee, Sami Boaujila

The Messenger
The Messenger
País: EUA, 2009
Dir: Oren Moverman
Com: Ben Foster, Woody Harrelson, Samantha Morton, Jena Malone

Five Minutes Of Heaven
Five Minutes of Heaven
País: EUA, 2009
Dir: Oliver Hirschbiegel
Com: Liam Neeson, James Nesbitt, Anamaria Marinca, Mark Davison

O Desinformante!
The Informant!
País: EUA, 2009
Dir: Steven Soderbergh
Com: Matt Damon, Scott Bakula, Joel McHale, Melanie Lynskey

Che 2 - A Guerrilha
Che: Part Two
País: Espanha, 2008
Dir: Steven Soderbergh
Com: Benicio Del Toro, Carlos Barden, Demián Bichir

Julie & Julia
Julie & Julia
País: EUA, 2009
Dir: Nora Ephron
Com: Meryl Streep

Nova York, Eu Te Amo
New York, I Love You
País: França, 2009
Dir: Mira Nair, Fatih Akin, Yvan Attal, Allen Hughes, Shekhar Kapur, Shunji Iwai, Joshua Marston, Natalie Portman, Brett Ratner, Wen Jiang, Randall Balsmeyer
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Tokyo!
Tokyo!
País: França, 2008
Dir: Bong Joon Ho, Michel Gondry, Leos Carax
Com: Ayako Fujitani, Ryo Kase, Ayumi Ito, Denis Lavant, Jean-François Balmer, Renji Ishibashi, Teruyuki Kagawa, Yu Aoi, Naoto Takenaka

Aconteceu em Woodstock
Taking Woodstock
País: EUA, 2009
Dir: Ang Lee
Com: Demetri Martin, Imelda Staunton, Emile Hirsch, Liev Schreiber

35 Doses de Rum
35 Rhums
País: França, 2008
Dir: Claire Denis
Com: Alex Descas, Mati Diop, Grégoire Colin, Nicole Dogué

Mother
Madeo
País: Coréia do Sul, 2009
Dir: Bong Joon-ho
Com: Kim Hye-ja, Won Bin

Aquário
Fish Tank
País: Reino Unido, 2009
Dir: Andrea Arnold
Com: Katie Jarvis, Michael Fassbender, Rebecca Griffiths, Kierston Wareing

The Burning Plain
The Burning Plain
País: EUA, 2008
Dir: Guillermo Arriaga
Com: Charlize Theron, Kim Basinger, Jennifer Lawrence, Joaquim De Almeida

Coco Antes de Chanel
Coco Avant Chanel
País: França, 2009
Dir: Anne Fontaine
Com: Audrey Tautou, Benoît Poelvoorde, Alessandro Nivola, Emmanuelle Devos, Marie Gillain
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Corações em Conflito
Mammut
País: Suécia, 2009
Dir: Lukas Moodysson
Com: Gael García Bernal, Michelle Williams, Marife Necesito, Thomas McCarthy


"MOSTRA PREMIÉRE LATINA"

O Segredo Dos Seus Olhos
El Secreto de Sus Ojos
País: Argentina/Espanha, 2009
Dir: Juan José Campanella
Com: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Guillermo Francella, Pablo Rago, Javier Godino,

Chuva
Lluvia
País: Argentina, 2008
Dir: Paula Hérnandez
Com: Valeria Bertuccelli, Ernesto Alterio
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Luisa
Luisa
País: Argentina/Espanha, 2008
Dir: Gonzalo Calzada
Com: Leonor Manso, Jean Pierre Reguerraz, Marcelo Serre, Carmen Vallejo
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Para Quem Você Ligaria?
A Quien Llamarias?
País: Argentina, 2009
Dir: Martin Viaggio
Com: Roberto Birindelli, Iván Ezquerré, Carla Pandolfi
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"MOSTRA JEANNE MOREAU"
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Mais Tarde, Você Vai Entender...
Plus tard, tu comprendras...
País: França/Alemanha, 2008
Dir: Amos Gitaï
Com: Jeanne Moreau, Dominique Blanc, Hippolyte Girardot, Emmanuelle Devos
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"MOSTRA TESOUROS DA CINEMATECA"

A Hora da Estrela
A Hora da Estrela
País: Brasil, 1985
Dir: Suzana Amaral

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A máxima expressividade.

Maria Callas, (02/12/1923 - 16/09/1977)

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Ópera é o tipo de coisa que não tem meio termo, você gosta e se emociona ou nada feito. Eu soube que gostava, quando ouvi Maria Callas.

Me encantou a dramaticidade única com qual interpretava Toscas, Aídas, Normas, Giocondas, Carmens... descobria naquele momento, a música erudita e a minha própria verve dramática.

Cecilia Sofia Anna Maria Kalogeropoulou, filha de gregos, extrapolou os limites dos teatros. A grandiloquência dolorosa, passional e intempestiva das personagens que interpretou, representava um pouco a sua realidade, talvez por isso sua presença cênica fosse tão comovente.

Casada e dona das platéias do mundo inteiro, apaixonou-se perdidamente pelo milionário Aristóteles Onassis. Divorciou-se e largou a carreira para acompanhar o novo marido em intermináveis eventos sociais, aos quais, bebia, e ficava exposta à fumaça dos cigarros. A mudança de rotina, alteraria seu timbre e alcance vocal. Nunca foi feliz com Onassis, apesar de idolatrá-lo. Ele a abandonaria anos depois, para casar-se com Jaqueline Kennedy. Coube a Maria, sorver o gosto amargo de ter sido usada como credencial, para que ele frequentasse a alta roda que o esnobava como novo rico sem classe.

Desprezada pelo único homem que amou, ensaiou um retorno aos palcos, mas já não era a mesma Callas. Depois da morte de Onassis em 1975, praticamente não saia de seu apartamento em Paris. As únicas companhias, eram a governanta, o motorista e os comprimidos.

Maria morreu há 32 anos, sozinha, vitima de ataque cardíaco.

Amou demais, sofreu demais, cantou além de qualquer medida... assim, tudo em demasia.


Ópera Tosca de Puccini, ária Vissi d'arte, vissi d'amore, 2º ato

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"Vissi d'arte, vissi d'amore" (Eu vivi para a arte, eu vivi para o amor)

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sábado, 19 de setembro de 2009

Imagens: o pensamento materializado, mestres da fotografia.


Henri Cartier Bresson, 1901-1999
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Sebastião Salgado, 1944-
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Margaret Bourke-White, 1904-1971

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Philippe Halsman, 1906-1979

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Elliott Erwitt, 1928-

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Lucien Clergue, 1934-

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Steven Klein, 1961-
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James Nachtwey, 1948-
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Brassaï, 1899-1984

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Steven Meisel, 1954-
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Patrick Demarchelier, 1943-
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Dorothea Lange, 1895-1965
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Pierre Verger, 1902-1996
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Gregory Colbert, 1960-
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Richard Avedon, 1923-2004
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* Mais informações sobre os fotógrafos, na sessão de link's Autofocus.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Variações sobre um mesmo tema...


Goldberg Variations, Sebastian Bach, por Glenn Gould.

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"...E assim, mesmo agora, se me perguntam que forma tem o mundo, se perguntam a mim mesmo que mora no interior de mim e guarda a primeira impressão das coisas, tenho de responder que o mundo está disposto sobre uma porção de sacadas que irregularmente se debruçam sobre uma única grande sacada que se abre no vazio do ar, no parapeito que é a breve tira do mar contra o imenso céu, e naquele peitoril ainda se debruça o verdadeiro de mim mesmo no interior de mim, no interior do suposto morador de formas do mundo mais complexas ou mais simples, mas derivadas, todas elas, dessa forma, bem mais complexas e ao mesmo tempo muito mais simples, na medida em que todas estão contidas naqueles desaprumos e declives iniciais ou deles podem ser deduzidas, daquele mundo de linhas quebradas e oblíquas entre as quais o horizonte é a única reta contínua..."

Italo Calvino, in: O Caminho de San Giovanni.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Mafalda e o existencialismo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O pretérito-mais-que-perfeito.

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Os portugueses chegaram por essas terras em 1502. Com anos de atraso, os franceses, em 1555, mas foram expulsos pelos primeiros, que se consideravam “donos da terra”. Sempre penso no que seria diferente, se tivessemos sido colonizados pelos franceses...
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A cidade foi capital de um império europeu fora da Europa, com a vinda da corte portuguesa em 1808. Antes disso, já mantinha status de capital do Brasil desde 1763, posto ocupado até 1960. Com a Proclamação da República, no fim do século XIX, e o declínio do trabalho escravo, passou a receber contingentes de imigrantes europeus e ex-escravos.
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Esse período em diante marca o enorme crescimento populacional (o que geraria problemas futuros) rico em etnias, e o urbano, marcado pela influência dos estilos eclético, neoclássico, art nouveau e moderno na urbanização da cidade.
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Nas fotos abaixo um pouco da história do Rio de Janeiro, de como a cidade foi organizando-se às margens da Baía de Guanabara. Abraçada, ora pelo mar, ora pelas montanhas, ora por suas florestas.
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Arpoador, 1958

As casas da Rua Francisco Bhering, deram lugar aos prédios. No canto direito, vê-se o Parque Garota de Ipanema, antiga área militar, entregue à municipalidade na década de 70.
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Urca, 1925

O pequenino bairro nasceu com suas ruas traçadas, alinhadas, e aterro feito com areia da própria Baía de Guanabara. A área que era essencialmente militar, só teve o plano de arruamento e loteamento aprovado em 1922.
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Praia de Copacabana, década de 20

Praia de Copacabana, década de 50

A praia com faixa de areia mais larga e a Avenida Atlântica duplicada. As mudanças ocorreram em meados de 1970 como parte de obras de saneamento do bairro.

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Bondinhos, década de 10

Os bondinhos que circulavam por toda a cidade, agora sobem e descem as ladeiras de Santa Teresa, mas os Pierrôs e Colombinas ainda se divertem quando chega o carnaval.
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Avenida Central, década de 10

Inaugurada em 15 de novembro de 1905, a Avenida Central era parte dos planos de modernização do centro da cidade. Moldada à imagem dos boulevares parisienses, logo foi ladeada por vários edifícios de arquitetura eclética.

O antigo bolevard, hoje, Avenida Rio Branco
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Barra da Tijuca, 1970

Antes do plano piloto de 1969, idealizado pelo urbanista Lúcio Costa, a Barra da Tijuca era uma grande área rural. Durante os anos 80, o bairro viveu uma explosão demográfica tendo boa parte dos terrenos ao longo das suas vias, ocupados por grandes condomínios residenciais e shopping centers. A inspiração urbanística veio de cidades como Miami e Chicago, com edificações em estilo pós-moderno, grandes avenidas e espaços abertos.
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Derby Club, 1910

Inaugurado em 1885, o Derby Club, era o antigo hipódromo do Rio de Janeiro. Na segunda metade da década de 40, deu lugar as construções de um estádio que iria sediar a Copa do Mundo de 1950. Nascia o Maracanã.
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Teatro Municipal, 1910

Símbolo do projeto republicano para a antiga capital do país, o Teatro Municipal foi inaugurado em 14 de julho de 1909. A ideia era cortar laços definitivos com Portugal e a monarquia, dando "nova identidade" ao Rio de Janeiro. A inspiração mais uma vez é francesa, a Ópera de Paris.
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Obra prima de estilo eclético, talvez o prédio mais bonito da cidade.

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Floresta da Tijuca, década de 20
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Cascatinha Taunay

A maior floresta urbana do mundo integra o Parque Nacional da Tijuca, que abrange os Morros do Corcovado, Andaraí, Três Rios, Tijuca, Paineiras, Sumaré, Gávea Pequena, além da Pedra da Gávea e da Pedra Bonita, totalizando quase 4000 hectares de área verde.


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Cinelândia, 1923
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Ponto de efervescência cultural da cidade, na segunda metade da década de 20. A região que fica em torno da Praça Floriano, recebeu esse nome por conta da “Companhia Cinematographica Brazileira” fundada ali em 1917, e suas várias salas de cinema. Nas fotos aparecem em primeiro plano, o Amarelinho (1921) e o Palácio Pedro Ernesto (1922) que abriga a Câmara Municipal do Estado.
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Bondinho do Pão de Açúcar, 1913.

Quando foi inaugurado em outubro de 1912, só existam dois teleféricos além dele no mundo. Desde então, já transportou cerca de 37 milhões de pessoas, mantendo uma média atual de 2.500 por dia.
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Jardim Botânico, 1865
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Foi criado em 1808 pelo Príncipe Regente D. João que apreciava botânica. O espaço foi aberto a visitação em 1822 e só em 1890, chamado Jardim Botânico.
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Corcovado, 1930
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Corcovado, 1939
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O monte que se chamava Pico da Tentação, foi rebatizado no século XVII, passando a chamar-se Corcovado devido a sua forma que lembraria uma corcunda (corcova). A montanha cercada de Mata Atlântica, ganhou status mundial, após a construção em seu cume da estátua do Cristo Redentor. A imagem foi feita na França e trazida para o Brasil em pedaços. Só a cabeça era composta por 50 peças e cada uma das mãos media 3,2 metros de comprimento. A inauguração foi em 12 de outubro de 1931, e ainda hoje, é a maior escultura art déco do mundo.

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"Con un cauce más bien desconocido
el futuro es un río de futuros
cada día que pasa es un quién sabe
donde lo venidero sigue oculto
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en el futuro hay una pregunta
pendiente de recónditos ayeres
donde el filtro cabal de la consciencia
espera las respuestas de la gente
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hay que hacer lo posible y lo imposible
para que la esperanza no se extinga
ella es la clave de cualquier mañana
y hay que cuidarla como un salvavidas..."
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Mario Benedetti.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Agenda: Os sonhos de uma geração e de uma mulher chamada Clarice.

Retratos, do universo Clariceano com Beth Goulart.

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(...)
“A rede de tricô era áspera entre os dedos, não íntima como quando a tricotara. A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. E como uma estranha música, o mundo recomeçava ao redor. O mal estava feito. Por quê? Teria esquecido de que havia cegos? A piedade a sufocava, Ana respirava pesadamente. Mesmo as coisas que existiam antes do acontecimento estavam agora de sobreaviso, tinham um ar mais hostil, perecível... O mundo se tornara de novo um mal-estar. Vários anos ruíam, as gemas amarelas escorriam. Expulsa de seus próprios dias, parecia-lhe que as pessoas na rua eram periclitantes, que se mantinham por um mínimo equilíbrio à tona da escuridão – e por um momento a falta de sentido deixava-as tão livres que elas não sabiam para onde ir.”
(...)
Clarice Lispector, in: Laços de Família.

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Esse mundo belo, intrínseco, caótico e quase inacessível, é revisitado no monólogo “Simplesmente Eu. Clarice Lispector”. Ainda não assisti ao espetáculo, coisa que não tardará a acontecer, assim que o vir, provavelmente compartilharei impressões.
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Algumas pessoas falam sobre si e os outros, com beleza incomum. Parecem comungar com a pluralidade do mundo. Penso que sintetizam tão bem o tempo, as transformações, os sentimentos, seus fantasmas ou mesmo os sonhos, porque respeitam a sensibilidade que possuem. As ideias assim se abrangem, por isso são belas, por isso falam diretamente como flechas que nos atingem em cheio. Aquele tipo de golpe que desarma, que paralisa. Que metaforicamente, mata de amor ou de dor.
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Peça Simplesmente Eu. Clarice Lispector
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66, Centro
De quarta à domingo, às 19h. Até 4 de outubro
Entrada: R$ 10,00



Utopia, sf. projeto irrealizável; quimera; lugar ou posição ideal, ainda não atingida.

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Para falar da incessante vocação do homem em sonhar, estréia dia 31 de agosto, segunda-feira, às 20h30, na TV Brasil, a série “Era das Utopias.”
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A conferir!
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"A questão é: quanta realidade se deve reter mesmo num mundo que se tornou inumano, se não quisermos que a humanidade se reduza a uma palavra vazia ou a um fantasma? Ou, para colocá-la de outra forma, em que medida ainda temos alguma obrigação para com o mundo, mesmo quando fomos expulsos ou nos retiramos dele?"
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Hanna Arendt, in: Homens em Tempos Sombrios.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Os Semelhantes...

Parecenças incomuns, Diego Rivera e Frida Kahlo


Forçar-se a agir contrariamente ao que julga coerente ou predileto é uma forma de constrangimento tal, quase uma violência. Foi o que pensei ao pegar o metrô dia desses. Considero-o um meio de transporte civilizado e ágil, mas não tenho o hábito de apanhá-lo.
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Me incomoda muitíssimo a sua internalidade. Aquele ar pesado. A ausência do movimento frenético da superfície, da visão da cidade e seus contornos, mesmo das inconstâncias climáticas. O que há para se fazer num deslocamento subterrâneo? Certamente ler ou escutar música seriam bons escapismos, mas estava despreparada de ambos. Comecei então a observar quem entrava e saía. Um hábito legítimo, afinal. Algo que me dispersa do sentido de tempo e espaço.
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Não é um tipo de observação alcoviteira. É quase utópica. Imagino qual a história daqueles, cujos rostos serão esquecidos na próxima esquina. Deduzo pelas rugas nos semblantes alguma alegria invulgar, apreensão, desconforto, tédio, mansidão. Por vezes um “por favor, obrigada”, “com licença” ou “boa qualquer coisa”, dão indícios de educação elementar.
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Os trajes também auxiliam a constituição dos retratos. Colarinhos puídos, sapatos opacos de sola gasta, unhas por fazer, cabelos desgrenhados, dão uma inexorável sensação de desleixo. Logo vem à cabeça: por qual desgosto terá passado, para que soe assim tão displicente da vida? Em contrapartida, “o outro” adiante, é ainda mais enigmático, impecavelmente bem vestido e com ar pomposo. Seria só vaidade ou auto afirmação de quem gosta pouco de si?
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O contraditório homem de terno italiano desceu duas estações depois. A mesma em que embarcou aquele casal tão estranho. Percebi que aqueles aos quais meus olhos já haviam radiografado, flertavam menos indulgentes com o meu passatempo. Provavelmente só enxergavam o abismo harmonioso entre os dois.
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Ela, obesa e atarracada. Percebia-se no rosto esticado e branco, algo em torno dos 35 anos. Ainda na face, reluziam óculos de armação fina e feições fortes, pouco simétricas. Trajava um vestido florido que lhe cobria a opulência do corpo com elegância. Uma verdadeira matrona italiana de quadris largos, uma parideira.
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Ele, magro e longilíneo. Possivelmente com os mesmos pares de anos dela. Vestia jeans lavado e uma camisa rosa-bebê. As feições delicadas, quase femininas e olhos doces. Na verdade, doce era o olhar que ele destinava a ela. Tinha uma certa idolatria naquele olhar. Eles estavam apaixonados inegavelmente. Assim como era inegável os olhares aturdidos, incrédulos da união pouco comum.
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Quem afinal constituiu que há de haver sincronismo físico entre os enamorados? Que só nos apaixonamos por clones rebuscados de nossa imagem? Que tolice. As pessoas apenas se atraem por motivos que a maioria desconhece. O resto é teoria.
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Era o que ela deveria pensar, enquanto segurava um livro da Anne Sexton e conversava ininterruptamente com ele num tom de voz pouco audível, e gestos leves.
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Next, Botafogo Station”, avisou a locutora do metrô. Dirigi-me à porta ávida por ar, quando vi cair um marcador de livros. Abaixei e o apanhei automaticamente. Quando pus-me de pé, havia uma mão estendida pronta à recebê-lo. A moça opulenta! Retribuiu-me com um sorriso aberto e assertivo, além de um “muito obrigada” em tom melodioso.
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Já em superfície, abastecendo meus pulmões de ar carbonado, os vi seguir em direção contrária atravessando a rua. O rapaz com corpo de louva-a-deus e sua musa botticelliana.
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Seus rostos começam a desbotar, é sempre assim. Antes que aconteça, preciso escrever no verso do "retrato", qualquer coisa que seja. Talvez, “ser o que se é”...
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"Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isso com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isso com o pensamento seria achá-las todas iguais."
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Fernando Pessoa.
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Observar estrelas...


Via Láctea, sequência fotográfica do movimento noturno do céu.
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"Quando observo que tudo quanto cresce
Desfruta a perfeição de um só momento,
Que neste palco imenso se obedece
A secreta influição do firmamento;
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Quando percebo que ao homem, como a planta,
Esmaga o mesmo céu que lhe deu glória,
Que se ergue em seiva e, no ápice, aquebranta
E um dia enfim se apaga da memória:
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Esse conceito da inconstante sina
Mais jovem faz-te ao meu olhar agora,
Quando o tempo se alia com a ruína
Para tornar em noite a tua aurora."
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William Shakespeare.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Os círculos...

Rodízio de pizzas, na casa da Lilliam.


Tomates despelados, e especiarias... eis o molho.


"A Redonda", transbordando de recheio.
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Nos círculos,
o ponto de chegada e partida é sempre o mesmo.
A peculiaridade fica nos trajetos,
que podem ser alterados, postergados,
limitados, negligenciados. Terem especiarias,
sabores variados, densidades,
ingestão rápida ou vagarosa.
Frescor, puerilidade ou
a artificialidade de molhos ácidos e
outros enlatados prontos.
Um paladar apurado e olhos que enxergam a “beleza”.
Uma boca amarga e olhos nublados.
A leveza das massas fofinhas, discretamente crocantes.
A dureza da farinha em demasia,
do fundo solado, queimado, pragmático.
Os bons aromas que enebriam, entorpecem.
Os que enjoam e principiam enxaquecas repentinas.
A habilidade das improvisações.
A limitação dos olhares obtusos.
O tempo e a temperatura adequados. A propósito,
eles andam juntos.
O tempo, às vezes esfria.
E em alguns casos, isso é inevitável.
Alguns ingredientes desandam
quando há discrepância de temperatura.
Noutros, o calor, a fervura, a fusão das misturas,
dão a liga necessária. Nesses,
a ação do tempo não diz muito.
Uma circunferência, se traça no "compasso" e
no descompassado das ações antagônicas,
que são a própria vida.
Há quem prefira as massas e
se prenda aos começos e finais.
Mas o que faz diferença e dá significado
são as trajetórias cheias de "recheio".
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

"As pessoas querem aprender a nadar e ter um pé no chão ao mesmo tempo..."



Certo dia, o escritor francês Marcel Proust respondeu a um questionário, que foi oferecido aos convidados de uma festa da alta-roda parisiense. Dizem que gostou tanto das perguntas, que o modelo foi batizado com o seu nome; segundo outra versão, a partir daquele momento, Proust começou a interessar-se pelo assunto e fez mudanças significativas nas questões. De convicto mesmo, só o fato de já terem sido respondidas por grandes artistas e escritores.

Quando minha amiga mandou o email com o questionário, disse em síntese: “Olha, até Drummond e o Manuel Bandeira já responderam!” tentando soar persuasiva.

Depois da sabatina, fiquei a pensar na antítese atrativa, que só gênios como Proust são capazes de oferecer.
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O questionário pode ser um passatempo divertido. Mas se prefere algo "denso", há ainda, a alternativa intelectualmente instigante de "No Caminho de Swann", "As Sombras das Raparigas em Flor", "O Caminho de Germantes", "Sodoma e Gomora", "A Prisioneira", "A Fugitiva" e "O Tempo Reencontrado", os sete volumes de romances que formam o épico "Em Busca do Tempo Perdido".
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Leitura Proustiana para todos os gostos e estados de espírito.

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1. Qual é a sua maior qualidade?
Lealdade.
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2. E seu maior defeito?
Incapacidade de síntese e assertividade, coisa de quem economiza a palavra dita.
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3. A característica mais importante em um homem?
Masculinidade.
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4. E em uma mulher?
Feminilidade.
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5. O que você mais aprecia nos seus amigos?
A diferença.
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6. Sua atividade favorita é…
Ler, fotografar, nadar, trabalhos de forno & fogão...
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7. Qual a sua idéia de felicidade?
Auto-conhecimento. Passar pelos anos de mãos dadas com alguém, sem que exista a menor vontade de soltá-las. Amigos. Uma estante de livros em madeira, com o pé direito tão alto que exija uma escada. Viagens sem destino. Uma casa com flores, ruídos, cozinha viva, quarto de criança. Viver sem convenções.
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8. E o que seria a maior das tragédias?
Alguns acontecimentos fizeram-me rever o trágico. Por isso considero dramas pessoais uma contingência da vida. Menos trágicos que algumas cegueiras e alienações, por exemplo.
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9. Quem você gostaria de ser, se não fosse você mesmo?
Seria interessante saber o que se passava na cabeça do Leonardo da Vinci.
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10. E onde gostaria de viver?
Amsterdã.
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11. Qual sua cor favorita?
Azul.
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12. Uma flor?
Orquídea.
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13. Um pássaro?
Beija-flor.
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14. Seus autores preferidos?
Italo Calvino, Virgínia Woolf, Clarice Lispector, Nietzshe, Cecília Meirelles, Goethe, José Saramago, Herman Hesse, Dostoiévsky, Mario Quintana, Jung, Jack Kerouac...
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15. Os poetas que mais gosta?
Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Pablo Neruda, Mario Benedetti, Drummond, Shakespeare...
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16. Quem são seus heróis de ficção?
Snoopy.
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17. E as heroínas?
Mafalda.
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18. Seu compositor favorito é…
Tom Jobim e Frederic Chopin.
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19. E os pintores que você mais gosta?
Leonardo da Vinci, Frida Kahlo, Van Gogh, Remedios Varo, Francisco de Goya, Chagall...
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20. Quem são suas heroínas na vida real?
Clarice Lispector, pela inquietação.
Frida Kahlo, pela surrealidade da vida e da obra.
Madre Tereza, pela humanidade.
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21. E quem são seus heróis?
Leonardo da Vinci, pela genialidade.
Carl Jung, pela paixão das suas convicções.
Chico Buarque, pela compreensão não só do feminino, mas da sensibilidade.
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22. Qual sua palavra favorita?
Delicadeza.
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23. O que você mais detesta?
Indiferença.
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24. Quais são os personagens históricos que você mais despreza?
Adolf Hitler e Josef Mengele.
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25. Quais dons naturais você gostaria de possuir?
Telepatia.
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26. Como você gostaria de morrer?
Perto do mar, em um dia de primavera.
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27. Qual seu atual estado de espírito?
Reflexivo.
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28. Que defeito é mais fácil perdoar?
Defeitos não são da alçada dos perdões, e sim, da aceitação, quando possível.
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29. Qual é o lema da sua vida?
Nao criei um ainda. Mas é recorrente a busca pelo entendimento dos meus “processos”. A busca de algo que perdi em algum momento, sem que necessariamente saiba o que se trata, nem como irei encontrar.
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"E, logo que o nosso chamado retiniu, na noite cheia de aparições para a qual só os nossos ouvidos se inclinam, um ruído leve – um ruído abstrato – o da distância supressa – e a voz do ser querido se dirige a nós.
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É ele, é a sua voz que nos fala, que ali está. Mas como essa voz se acha longe! Quantas vezes não pude escutar senão com angústia, como se ante essa impossibilidade de ver, antes de longas horas de viagem, aquela cuja voz estava tão perto de meu ouvido, eu melhor sentisse o que há de decepcionante na aparência da mais doce aproximação, e a que distância podemos estar das pessoas amadas, no momento em que parece que bastaria estendermos a mão para retê-las...”

Marcel Proust, in: Em Busca do Tempo Perdido, vol. III.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O Tempo revisitado...

El Relojero, Remedios Varo, 1955.


Preciso tiempo necesito ese tiempo
[ Preciso de tempo necessito desse tempo ]
que otros dejan abandonado
[ que outros deixam abandonado ]
porque les sobra o ya no saben
[ porque lhes sobra ou já não sabem ]
que hacer con él
[ que fazer com ele ]
tiempo
[ tempo ]
en blanco
[ em branco ]
en rojo
[ em vermelho ]
en verde
[ em verde ]
hasta en castaño oscuro
[ até em castanho escuro ]
no me importa el color
[ não me importa a cor ]
cándido tiempo
[ cândido tempo ]
que yo no puedo abrir y cerrar
[ que não posso abrir e fechar ]
como una puerta
[ como uma porta ]
tiempo para mirar un árbol un farol
[ tempo para olhar uma árvore um farol ]
para andar por el filo del descanso
[ para andar pelo fio do descanso ]
para pensar qué bien hoy es invierno
[ para pensar que bom que hoje é Inverno ]
para morir un poco
[ para morrer um pouco ]
y nacer enseguida
[ e nascer em seguida ]
y para darme cuenta
[ e dar-me conta ]
y para darme cuerda
[ e dar-me corda ]
preciso tiempo el necesario para
[ preciso do tempo necessário para ]
chapotear unas horas en la vida
[ chapinhar umas horas na vida ]
y para investigar por qué estoy triste
[ e para investigar por que estou triste ]
y acostumbrarme a mi esqueleto antiguo
[ e acostumar-me ao meu esqueleto antigo ]
tiempo para esconderme
[ tempo para esconder-me ]
en el canto de un gallo
[ no canto de um galo ]
y para reaparecer en un relincho
[ e reaparecer num relincho ]
y para estar al día
[ e para estar em dia ]
para estar a la noche
[ e para estar em noite ]
tiempo sin recato y sin reloj
[ tempo sem recato e sem relógio ]
vale decir preciso
[ vale dizer preciso ]
o sea necesito
[ ou seja necessito ]
digamos me hace falta
[ digamos que me faz falta ]
tiempo sin tiempo
[ tempo sem tempo ]
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Mario Benedetti.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Agenda: Simone de Beauvoir, Brecheret, Burle Marx, Little Joy...

Simone de Beauvoir por Elliot Erwitt, Paris, 1949.

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Peça "Viver Sem Tempos Mortos"
Monólogo com Fernanda Montenegro, baseado nas cartas e depoimentos autobiográficos da escritora e intelectual existencialista Simone de Beauvoir.
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Teatro Oi Futuro - Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo.
Qui, sex, sáb e dom às 19:30h. Até 30 de agosto. Entrada: R$ 15,00.
Depois a peça prossegue a temporada no teatro do Shopping Fashion Mall, ou seja, aproveite o módico e camarada ingresso do espaço Oi Futuro.
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Exposição "A Arte Indígena de Victor Brecheret"
Mostra com 29 esculturas e 23 desenhos do artista que transformava pedras, terracota e madeira em arte. As peças são inspiradas na cultura indígena e marajoara, da Ilha de Marajó, no Pará.
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Caixa Cultural - Av. Almirante Barroso, 25, Centro.
Ter à sáb, das 10h às 22h. Dom, das 10h às 21h.
De 07 de julho à 23 de agosto. Entrada franca.
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Festival de Cinema "Assim Vivemos"
O universo pretensamente limitado de pessoas com deficiência física, é abordado nos 24 filmes de 13 países exibidos no festival. No final do dia, sempre às quartas e quintas, serão realizados debates.
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Centro Cultural Banco do Brasil - Rua Primeiro de Março, 66, Centro.
Até 16 de agosto. Entrada Franca.
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Programação completa no site do festival:
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Show da Banda "Little Joy"
Encontro despretencioso de trabalhos paralelos, que resultou num som muito bacana. A banda é formada pelo Rodrigo Amarante (guitarrista do Los Hermanos), Binki Shapiro e Fabrizio Moretti (baterista do The Strokes).
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Fundição Progresso - Rua dos Arcos, 24, Lapa.
Dia 14 de agosto, às 22h.
Entrada: R$ 100,00 (inteira), R$ 50,00 (meia).
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Exposição "Burle Marx"
Comemoração do centenário de nascimento do paisagista. Fazem parte da programação, exposição fotográfica de Marcel Gautherot, lançamento de guia paisagístico, distribuição de mudas e atividades infantis.
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Instituto Moreira Salles - Rua Marques de São Vicente, 476, Gávea.
Ter à sex, das 13h às 20h. Sáb, dom e feriados das 11h às 20h.
De 08 de agosto à 27 de setembro. Entrada Franca.

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"Nossa existência é uma morte lenta? É evidente que não. Semelhante paradoxo desconhece a verdade essencial da vida: ela é um sistema instável no qual se perde e se reconquista o equilíbrio a cada instante: a inércia é que é o sinônimo da morte. A lei da vida é mudar."
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Simone de Beauvoir, in: Balanço Final.